The genetics of the Pig – Agroceres PIC

Revisão

O que esperar da suinocultura na próxima década?

José Henrique Piva –diretor Técnico da PIC-USA
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O principais fatores e variáveis que vão orientar a atividade na próxima década. Uma reflexão sobre como a eficiência produtiva, sanidade, automação, uso de dados, gestão de pessoas, genética e capacidade de adaptação vão ditar a competitividade do setor nos próximos anos.

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Pensar a produção de suínos para a próxima década exige, antes de tudo, reconhecer o quanto a atividade mudou nas últimas décadas e, principalmente, o quanto continuará mudando. A suinocultura avançou em produtividade, escala, tecnologia, genética, nutrição, sanidade e gestão. Mesmo assim, alguns fundamentos permanecerão decisivos: eficiência, disciplina de execução, capacidade de adaptação e clareza sobre o ambiente em que estamos inseridos.

Isso nos mostra que não podemos produzir hoje com as estratégias de ontem. Os sistemas produtivos estão mais complexos, as margens estão mais pressionadas e os ciclos de mudança estão cada vez mais curtos. O que antes levava décadas para ser incorporado à produção pode, agora, avançar em poucos anos, se tanto.

Nesse horizonte, a competitividade continuará separando desempenhos. A carne suína seguirá sendo uma commodity, orientada pela dinâmica de oferta e demanda. Para competir nesse ambiente, será necessário produzir com processos bem estruturados, prioridades claras e maior capacidade de resposta às expectativas do mercado, da indústria, dos consumidores e da sociedade.

A produtividade, nesse contexto, deve ser entendida também como uma estratégia de sustentabilidade. Produzir mais com menos recursos será cada vez mais importante. Isso significa usar melhor a área construída, reduzir desperdícios, melhorar a eficiência alimentar, diminuir a dependência de mão de obra, ampliar a automação e investir em instalações e equipamentos mais duráveis, funcionais e com menor necessidade de manutenção.

Valor sanitário e o gargalo da mão de obra

A mão de obra será um dos grandes desafios da próxima década. A disponibilidade de pessoas qualificadas tende a ser mais limitada, e isso exigirá ambientes de trabalho mais eficientes, seguros e atrativos. As granjas serão maiores, mais compactas, mais padronizadas e, em muitos casos, mais isoladas. Isso exigirá novas formas de liderança, maior clareza na execução dos protocolos e equipes preparadas para entregar resultados zootécnicos e econômicos de forma efetiva.

Outro ponto decisivo será a sanidade. A biossegurança deixou de ser apenas uma medida de proteção interna dos rebanhos. Cada vez mais, ela passa a influenciar a forma como países, empresas e sistemas produtivos se posicionam no mercado. Controlar doenças continuará sendo essencial, mas não será suficiente. Será preciso demonstrar controle, transparência e capacidade de prevenção.

Quanto mais integrado um país estiver aos mercados de exportação, mais visado será o seu status sanitário, tanto na realidade quanto na percepção. Novas doenças, a evolução da Peste Suína Africana, as exigências regulatórias, o uso responsável de antimicrobianos e a necessidade de diagnósticos mais rápidos e precisos continuarão orientando as decisões da cadeia produtiva.

Avanços tecnológicos e a contribuição da genética

A tecnologia, obviamente, também terá importância crescente. Câmeras, sensores, automação, análise de dados, inteligência artificial e outras ferramentas de apoio à decisão estarão cada vez mais presentes nas granjas. Essas tecnologias não devem ser vistas apenas como substitutas da mão de obra, mas como instrumentos para tornar o trabalho mais objetivo, seguro, eficiente e conectado aos indicadores que realmente importam.

Mas nem toda tecnologia será aplicável, viável ou economicamente sustentável. Por isso, será necessário adotar uma visão seletiva e pragmática. A pergunta não deve ser apenas se determinada tecnologia existe, mas se ela resolve um problema real, se melhora a tomada de decisão, se contribui para a eficiência do sistema e se gera retorno dentro das condições de cada operação.

A genética seguirá tendo contribuição central nessa evolução. Teremos animais cada vez mais produtivos, resilientes e capazes de expressar maior potencial. Mas o desafio será aproximar o desempenho real das granjas desse potencial genético. Para isso, será preciso combinar genética, sanidade, nutrição, ambiente, manejo, capacitação e gestão baseada em dados.

Nova ordem suinícola global

Também veremos maior integração entre produção, indústria e distribuição. A cadeia deverá trabalhar de forma mais coordenada e alinhada às demandas do mercado. Eficiência, volume, custo, produtividade e sustentabilidade precisarão caminhar juntos. As decisões técnicas e econômicas terão de pesar mais do que preferências individuais, especialmente em projetos, investimentos e mudanças de manejo.

A próxima década será marcada ainda por mudanças no mapa global da produção e do consumo. Algumas regiões devem ganhar relevância, enquanto outras poderão perder competitividade. As Américas tendem a manter posição importante pela capacidade de produção de grãos, pelos custos relativos e pela força exportadora de países como Brasil, Estados Unidos e Canadá. Ao mesmo tempo, a pressão sanitária, os custos de produção e as exigências ambientais e regulatórias continuarão influenciando a competitividade global.

O futuro é logo ali

Diante de tudo isso, acredito que o maior desafio será manter a capacidade antever as mudanças, aprender e se adaptar. As expectativas, os valores, os conceitos e os métodos de produção continuarão mudando. O setor precisará estar atento ao ambiente, aberto a novas ideias e disposto a rever práticas sempre que necessário.

A suinocultura do futuro não será construída apenas com mais tecnologia, mais escala ou mais produtividade. Ela dependerá da capacidade de integrar todos esses elementos com gestão, pessoas, sanidade, sustentabilidade e visão de longo prazo. O ponto central é simples. Não podemos fazer o trabalho de hoje com os métodos de ontem e esperar ser a granja do amanhã.

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