A suinocultura brasileira vive um momento de maturidade produtiva, reconhecimento internacional e forte competitividade. Ao mesmo tempo, preservar essa posição exige atenção permanente a riscos estruturais, especialmente nas áreas de sanidade, infraestrutura, mão de obra, tributação, ambiente regulatório e coordenação institucional do setor.
Essa foi a principal convergência do painel “Como capitalizar nossas vantagens competitivas e mitigar riscos no longo prazo”, realizado durante o 333 Experience Congress Brasil 2026, em Florianópolis (SC).

A discussão reuniu Manolo Faccin, diretor de Operações da Master Agroindustrial; José Antônio Ribas, diretor executivo de Agro e CIEX da Seara; Fabiano Parisoto, diretor comercial da Ecofrigo – Grupo Bugio; e Alex Marcel Melloto, secretário adjunto da Semadesc – Mato Grosso do Sul. A mediação foi conduzida por Alexandre Furtado da Rosa, diretor Superintendente da Agroceres PIC.

Brasil ganha protagonismo internacional
Ao introduzir o debate, Alexandre destacou que a suinocultura brasileira avançou de forma significativa nos últimos anos. Segundo ele, até pouco tempo atrás era comum que grupos de produtores e empresas brasileiras visitassem outros países, especialmente Estados Unidos e Europa, em busca de referências em instalações, produtividade, gestão e mão de obra. Hoje, esse movimento se inverteu.
. “Em vez de conduzir grupos para fora, hoje recebemos grupos de suinocultores e empresários interessados em conhecer de perto a nossa suinocultura. Isso mudou”, afirmou Alexandre.
Entre as vantagens competitivas do Brasil, o executivo destacou o custo de produção, os elevados níveis de eficiência produtiva, os avanços em índices zootécnicos, os pesos de abate, o custo da mão de obra, os custos de construção e, principalmente, o status sanitário da produção nacional. Para Alexandre, a condição sanitária brasileira representa uma das principais fortalezas estratégicas do setor. “Entre os países mais importantes do mundo na produção de suínos, a nossa sanidade hoje é a melhor. Isso é um enorme privilégio. Temos que celebrar nosso status sanitário, mas também discutir como vamos protegê-lo”, ressaltou.
O painel também chamou atenção para a necessidade de transformar vantagens atuais em competitividade duradoura. Alexandre lembrou que outros países produtores já ocuparam, no passado, posições de destaque semelhantes à que o Brasil ocupa hoje, mas perderam relevância ao longo do tempo. Para ele, esse histórico deve servir de alerta. “O que era verdade ontem não necessariamente vai ser verdade amanhã. Temos grandes desafios para continuar na dianteira”, afirmou.
Mapeando desafios
Entre esses desafios, foram citados o “custo Brasil”, a tributação, os gargalos de infraestrutura, especialmente no escoamento de grãos, a disponibilidade de mão de obra, as legislações ambientais e de bem-estar animal, além da necessidade de preservar o status sanitário da suinocultura brasileira.
Na avaliação apresentada durante a mediação, manter a competitividade do setor passa também pela capacidade de articulação entre empresas, entidades e instituições públicas. Para Alexandre, o alinhamento de esforços e de comunicação é um dos principais deveres de casa da cadeia produtiva.

“Para mantermos nossa competitividade, é imperativa a manutenção do status sanitário da suinocultura brasileira. Também temos o desafio de alinhar os esforços de todas as entidades do setor para convergirmos para um plano não só para a suinocultura, mas para o agronegócio brasileiro”, concluiu.
O debate evidenciou que o avanço da suinocultura brasileira não depende apenas da manutenção de bons indicadores produtivos, mas da capacidade do setor de proteger seus diferenciais, antecipar riscos e construir uma agenda comum para sustentar sua competitividade no longo prazo.