Genética de Suínos – Agroceres PIC

Revisão

Como prevenir comportamentos anormais de mordedura em suínos

Por Juliana Ribas – Boas Práticas e Bem-estar Animal da Agroceres PIC

Os comportamentos anormais de mordedura em suínos, envolvendo cauda, orelhas e flanco, representam um importante desafio para os sistemas de produção, por comprometerem o bem-estar animal, a saúde do plantel e os resultados zootécnicos e econômicos da granja. Como se trata de uma ocorrência de origem multifatorial, sua prevenção exige uma avaliação criteriosa do ambiente, do manejo e dos recursos oferecidos aos animais. Além disso, a Instrução Normativa nº 113 ampliou a necessidade de atenção aos fatores de risco associados às mordeduras e reforçou a importância de adequar instalações e manejos para reduzir esse tipo de ocorrência. Confira, a seguir, sete orientações práticas para prevenir comportamentos anormais de mordedura em suínos.

Garanta água de qualidade e em quantidade suficiente

A qualidade e a disponibilidade de água são fatores primordiais para reduzir disputas entre os animais e prevenir alterações comportamentais. Observe, com critério, a origem, pH, temperatura da água e número de pontos de acesso e mantenha os bebedouros limpos, bem localizados e com vazão adequada para cada fase. A privação de água ou a competição por esse recurso reduz o consumo hídrico e alimentar, compromete o desempenho e aumenta o risco de mordeduras.

Assegure acesso adequado à ração e reduza a competição no comedouro

A restrição de espaço no comedouro e a disputa por alimento favorecem a ocorrência de mordedura. Por isso, é importante avaliar não apenas os parâmetros de comedouro, mas também sinais práticos da rotina da granja, como desuniformidade dos animais, escore corporal inadequado, lesões de pele compatíveis com competição, disputas ao redor do comedouro e animais esperando para se alimentar. Rever a disponibilidade de ração, o ajuste dos comedouros e o balanceamento nutricional da dieta ajuda a reduzir a pressão competitiva no lote.

Ajuste a ambiência dos galpões

Temperatura, umidade, ventilação, gases e luminosidade influenciam diretamente o conforto dos suínos e podem atuar como gatilhos para episódios de mordedura. Ambientes quentes, úmidos, com correntes de ar, excesso de gases irritantes ou falhas de manejo elevam o estresse e favorecem alterações comportamentais. Além de acompanhar os parâmetros ambientais, é necessário observar sinais visuais do lote, como amontoamento, inquietude, dificuldade de manter a higiene das baias, tosse, ofegação e excesso de vocalização. A leitura do comportamento dos animais é uma ferramenta objetiva para avaliar se a ambiência está adequada.

Respeite a densidade e as condições físicas das baias

A superlotação aumenta a competição por espaço e recursos, eleva o desconforto e pode contribuir para surtos de mordedura. Por isso, é fundamental respeitar a área útil mínima de acordo com a fase de alojamento e considerar que estruturas como cochos e lâminas d’água não entram nesse cálculo. O tipo de piso também merece atenção. Sistemas com piso 100% ripado estão associados a maior incidência de comportamentos anormais de mordedura quando comparados a sistemas com piso compacto, por aumentarem a instabilidade da pisada e os níveis de estresse.

Planeje com cuidado a mistura e a realocação dos animais

A transferência de suínos para novas baias e a mistura de animais de diferentes grupos impõem a reorganização da hierarquia social e podem intensificar brigas e disputas. Para reduzir esse risco, planeje o manejo com antecedência. Nunca introduza um único animal sozinho na baia e aumente temporariamente a oferta de alimento nos primeiros dias. Realize a mistura no fim da tarde e adote estratégias que reduzam a tensão entre os animais. Sempre que possível, use também o enriquecimento ambiental como apoio nesse momento.

Reforce a inspeção diária e observe o comportamento do lote

A inspeção diária é um dos recursos mais importantes para prevenir e conter surtos de mordedura. A observação rotineira permite identificar precocemente doenças, lesões e sinais iniciais de alteração de comportamento, favorecendo uma resposta mais rápida, aumentando a chance de controle do problema. Entre os sinais de alerta estão animais com a cauda entre as pernas, balançando compulsivamente a cauda, com lesões em cauda, orelhas e flanco, ou com interesse excessivo por roupas, botas, fezes, divisórias e estruturas da baia. Quanto mais cedo a equipe identifica esses sinais, maior a chance de evitar a disseminação do comportamento no grupo.

Invista em enriquecimento ambiental e aja rápido nos primeiros sinais

Como o suíno tem alta motivação para explorar o ambiente, a falta de estímulos favorece tédio, frustração e redirecionamento desse comportamento para outros animais. Por isso, a oferta constante de materiais de enriquecimento é parte importante da prevenção. Materiais manipuláveis, investigáveis, limpos e disponíveis em quantidade adequada, com destaque para correntes ramificadas e cordas, são alternativas viáveis em pisos ripados. Além disso, diante dos primeiros sinais de mordedura, a resposta deve ser imediata. Identificar a baia afetada, remover o animal mordido e, se possível, o mordedor, tratar as lesões, instalar enriquecimento na baia e monitorar a evolução do caso nas horas seguintes são práticas fundamentais.

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